Aspectos Epidemiológicos

A dengue é hoje a mais importante arbovirose que afeta o homem e constitui-se em sério problema de saúde pública no mundo, especialmente nos países tropicais, onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti, principal mosquito vetor.
A doença pode se manifestar de duas formas: a dengue clássica e a dengue hemorrágica.
A doença foi reconhecida há aproximadamente 200 anos e tem apresentado caráter epidêmico e endêmico variado, tendendo a agravar nos últimos anos. As mudanças na dinâmica de transmissão da dengue podem ser explicadas pela baixa prevalência do vírus até recentemente, quando houve maior disponibilidade de hospedeiros humanos.
O aumento da concentração humana em ambiente urbano propiciou crescimento substancial da população viral. As linhagens, que surgiram antes das aglomerações e movimentações humanas terem inicio, tinham poucas chances de causar grandes epidemias e terminavam por falta de hospedeiros susceptíveis. Paralelamente, as mudanças nas paisagens têm promovido alterações microclimáticas que parecem ter favorecido algumas espécies vetoras, em detrimento de outras, oferecendo abrigos e criadouros, bem como a disponibilidade de hospedeiros.
O impacto dessa doença sobre a população humana é notado, não só pelo desconforto que causa, como pela perda de vidas, principalmente entre crianças Há, também, prejuízos econômicos expressos em gastos com tratamento, hospitalização, controle dos vetores, afastamento do trabalho e perdas com turismo.
O ressurgimento da dengue, em escala global, é atribuído a diversos fatores como: falta de controle dos órgãos governamentais e sociedade, crescimento da população humana de forma desordenada nas áreas urbanas, sem uma infraestrutura adequada de saneamento básico o que propicia o aumento da densidade da população vetora e o aumento acentuado no intercâmbio comercial entre múltiplos países e, conseqüente, aumento no número de viagens aéreas, marítimas e fluviais, favorecendo a dispersão dos vetores e dos agentes infecciosos.
No entanto, o fator de maior preocupação é que a diversidade genética dos quatro subtipos do vírus da dengue está provavelmente ligada ao crescimento da população humana, podendo aumentar no futuro. A alta variabilidade genética do vírus pode estar relacionada com o surgimento de casos graves da doença, causados, possivelmente, pelo efeito anticorpo-dependente em resposta a populações virais geneticamente diferentes.
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